20 de agosto de 2020

Meu bom amigo, o Frio.

Porque gosto do frio...  Todas as lembranças que tenho de quartos e casas que já morei são de lugares abafados. Como todo bom adolescente problemático que eu era gostava de ter meu espaço e privacidade. E quanto mais portas e janelas fechadas... mais calor. Nunca gostei de calor, pelo menos não dentro da rotina, só me sentia bem trancado no meu canto, com ventilador agonizando a empurrar ar quente na face.

 

Não gosto de transpirar, porque transpiro muito, exageradamente. E acho que transpirar combina muito com atividades ao ar livre, com um pouco de esporte em uma academia ou na orla da praia. Definitivamente não dentro da sala de aula, ou sentado à minha mesa, na empresa. 

Acho que o calor traz um quê de *turma*, de ajuntamento, de pessoas falando em voz alta ao mesmo tempo, de necessidades exacerbadas de bebidas refrescantes. Não sou uma pessoa voltada a multidões. Não gosto de ser mais mais um no milharal. 

Penso que o calor combina com corpos esguios e definidos e confesso, nunca me senti a vontade com o meu... talvez isso seja culpa da mídia, das telenovelas, ou da cultura perfeccionista dos padrões de beleza.

Calor tem a ver com alegria desmedida e sorrisos forçados, com socializações ilusórias e sentimentos aflorados em domingos ensolarados.

Lembro-me de vergonhas infantis evidenciadas pelos raios solares de manhãs de outono. De brigas juvenis e do ardor da pele esfolada junto ao asfalto quente, gosto metálico na boca e a visão turva pela excessiva clareza do dia.

Ah, o calor noturno! Pior inimigo não há! Preciso dormir, preciso descansar, mas nessa quentura não consigo relaxar. Não gosto de cobrir com lençol, o climatizador não me ajuda em nada e o circulador de ar parece um São Bernardo ofegante a me aquecer com seu jocoso hálito. 

 

Majestoso frio... quase tudo é bom contigo! É bom para dormir, embora complique a vida de quem levanta cedo.

Nada como uma boa massa e um vinho, come-se melhor! O metabolismo acelera, corpo precisa manter-se aquecido. Gasta-se mais calorias.

Bom para passar um tempo acompanhado de quem se gosta. Bom pra reunir amigos e sentir o calor dessas pessoas...

Em noites muito frias, as ruas ficam mais vazias, há mais silêncio, de certa forma até mais segurança.

Um abraço é tudo em um dia frio...

Ok! Eu percebo a ironia! Quem gosta de frio, em sua maioria, gosta mesmo é de sentir o calor que as atividades geram, quem diria!

Mas eu gosto porque parece que o tempo frio me faz companhia em minha solidão. Não está ali, tentando me agradar com calor exagerado. Pelo contrário, faz com que eu me contraia, me encolha, buscando me aquecer de alguma forma, e fazendo isso, me sinto mais protegido, mais próximo de mim.

Talvez esse amor ao frio seja de alguma forma cultivado, algo por experiência enraizado. Acontece que eu já sinto tanto frio em épocas de calor. Todos estão aquecidos e felizes, ou tentando, e eu estou gélido.

Queria enumerar uma lista de motivos que me fazem gostar do frio. Mas isso simplificaria demais as coisas. E as coisas nunca são tão simples afinal...


15 de fevereiro de 2017

O Mundo Acabará Amanhã?


De tempos em tempos somos surpreendidos com a noticia do fim do mundo. A mais recente parece ser do suposto astrônomo russo Dyomin Damir Zakharovich que afirma que o asteroide 2016 WF9 irá colidir com a terra amanhã, dia 16/02/2017.



Então… já prepararam suas listas do que fazer antes do fim do mundo?? 

 

Se o mundo vai acabar amanhã? Não tenho certeza. Se acredito? Não dou crédito mas também não tiro.

A comunidade astronômica vem se manifestando e desmentindo essa afirmação. Ok, mas me pergunto sempre: E se um dia isso vier a ser uma verdade? Será que também virão a publico confirmar? Fico pensando no caos que seria...






Fato é que um dia irá acabar sim. Se estaremos vivos até lá… não sei. Se será cataclismático, apocalíptico, se seremos atingidos por um asteroide, meteoro, cometa, outro planeta, sugados por um buraco negro criado na fusão de duas galaxias, durante o arrebatamento, culpa do aquecimento global (??), derretimento das calotas polares (??), explosão do núcleo do planeta, guerra química e nuclear, ou singelamente por vontade divina…


Um dia, irá acontecer e se isso vier acontecer durante a estada do homem na Terra a pergunta é: Você está preparado(a)? 
 

As suas historias passadas já estão resolvidas? Já perdoou e foi perdoado? Pagou todas as suas dividas? Se arrependeu do que fez… e principalmente, do que deixou de fazer?



Está preparado para partir?



Confesso que ao pensar sobre isso seriamente, vejo que há muita coisa que não estou contente, coisas que não quero que tenham o desfecho que terão se o mundo acabar amanhã… mas algumas destas coisas não sei se poderia mudá-las de qualquer forma.. talvez eu precise mais de outra vida, começar de novo do que de apenas mais alguns 200 anos!


Ficaria feliz porque pelo menos, ACHO que não teria mais que ficar ouvindo as adolescentes que moram no andar de cima saltitarem o dia inteiro e parte da noite numa sinfonia acompanhada de música sertaneja de sofrência e o arrastar de moveis junto com o derrubar de objetos metálicos…








Mas ao mesmo tempo tanta coisa me prende, tanto nó mal amarrado, tanta historia mal resolvida… mas quem sabe, de tudo que não tem solução, resolvido está?

Se o mundo acabar amanhã… vou ficar triste por não poder assistir a 7ª e 8ª temporada de Game of Thrones...

13 de fevereiro de 2017

Caos no Espírito Santo



A sensação de impunidade que se abateu no estado trouxe uma enxurrada de crimes, 170 veículos roubados, danos ao patrimônio, 146 mortos em 10 dias de paralisação da PM, o que era de se esperar, já que criminosos cometem crimes, tire a polícia das ruas e verá um crescimento exponencial dessas atividades.

Mas o que chamou a atenção foi a quantidade de saques… uma minoria de pessoas do “bem”, aproveitando-se da crise e do caos que dominava as cidades para saquear supermercados, comércios de varejo, grandes lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, chegavam em grandes caminhonetes para transportar com maior facilidade o produto saqueado. Pessoas comuns! Jovens, alguns idosos e muito marmanjo barbado roubando de consciência tranquila… “de boa!”, na maioria das vezes usando como desculpa: “É para o estado aprender e nos ajudar!!” oi??




Fato é o que o Espirito Santo virou um grande caminhão tombado na rodovia. Sei que é difícil criticar, do alto do meu terceiro andar, no meu condomínio simples, quase popular, com portaria 24 horas as pessoas que, de alguma forma acham que é licito “recolher” algo que não lhes pertence. Não digo que há diferença entre uma loja em uma cidade sem polícia e um caminhão tombado no km 241 de alguma rodovia, nos dois casos, é roubo, é crime.

Existem dezenas de vídeos no Youtube mostrando a ação dos saqueadores, muitas dessas pessoas nunca cometeram um crime na vida, gente trabalhadora, pessoas humildes, e também até pessoas de posses com condição financeira estável, mas que se aproveitaram de uma crise na segurança publica para tirar uma vantagem. Se sentindo no direito de “ganhar” uma TV nova, no direito de dar um troco no estado… (roubando alguém.. é isso?) ou de receberem algum tipo de compensação por algum sofrimento ou coisa do gênero.



Misturadas à bandidagem, essas "pessoas de bem", que não acharam, aliás, que não acham nada demais em saquear, afinal "Todo mundo está pegando!" será que inspiradas pelas histórias de Robin Hood ou isso seria uma vertente do “jeitinho” de se dar bem que o brasileiro tem tanto orgulho? De sempre levar alguma vantagem?

Ou será que as caravelas de Cabral eram na verdade navios piratas com suas bandeiras de caveira a desembarcar em nossas praias introduzindo aqui toda a cultura de saquear, pilhar e roubar?

Pior é quando quem deveria dar o exemplo é flagrada em foto e como suspeita de saquear.





O Teólogo e Psicólogo Sérgio Oliveira postou um texto que viralizou na rede, onde traça uma síntese sobre a crise que vai além da segurança publica, é uma crise ética e moral.



"PSICOLOGIA DE POLÍCIA E BANDIDO.

Na greve da Polícia Militar no Espírito Santo cidadãos comuns foram vistos realizando saques em lojas e supermercados. A ausência da polícia revela uma realidade assustadora: o caos ético e moral que se encontra o nosso país. Quando a polícia se torna a regra de conduta das pessoas, o instrumento de controle que as impede de cometer crimes percebe-se a falta de consciência ética e moral. Retirada a polícia vem à tona o desejo latente de um povo corrupto. Idiotice pensar que só políticos são desonestos, tendo oportunidade, muitos se tornam criminosos. A conclusão é a seguinte: Se precisamos de polícia para sermos honestos, somos uma sociedade de bandidos soltos!

Espírito Santo - Crise Ética e Moral"


No video abaixo postado no canal do  Youtube Rede do Bem Alegre, ele comenta a repercussão que o texto está tendo e faz algumas ressalvas.




Evitando a generalização, fato é que esse comportamento é bem inerente ao ser humano. Sim, atitudes como esta aconteceram em varias outras partes do mundo, basta que haja alguma crise, que o caos se instaure. O cinema mesmo, cansou de retratar esse comportamento, a ausência de controle ou de punição torna a sociedade… aliás, não torna não, apenas permite que esta se manifeste como lhe convêm. Filmes e seriados pós apocalípticos sempre mostram o ser humano saqueando, roubando… o triste é ver que não precisa de tanto… não precisa de um apocalipse, basta alguma desordem no poder publico, uma paralisação da PM, e lá vão as “pessoas de bem”, ver se conseguem tirar algum proveito.

Falando em filmes, me lembrei da franquia:

The Purge

Uma Noite de Crime



Onde a premissa é, "uma única noite no ano é permitido pelo governo que qualquer crime seja cometido e ninguém será punido por isso, desde que o cometa nesta noite que é chamada de "Expurgo Anual", ou "Annual Purge", o que nos leva ao nome do filme. Sim, estamos falando de qualquer crime, desde roubar doces na loja da esquina, até assassinato, destruição de propriedade, estupro e tudo mais que se puder imaginar."

Trecho retirado do blog: Chato no Cinema 

Será a vida imitando a arte? Bom, porque a vida é sempre mais dura? O filme são 12 horas apenas...





Saquear é crime!

A apropriação é crime previsto no art. 169 do Código Penal e pode levar de um mês a um ano de prisão. Se considerado furto ou roubo a pena pode chegar a 10 anos de prisão.

Mas a verdade é que gostamos de saquear! E viva a impunidade!

Passeatas e manifestações na época do Impeachment, ativismo Black Bloc? AH! Vamos saquear!

Acidentes envolvendo caminhões transportando carga… interessa saber o que tem dentro? Frango congelado? boi vivo? Eletrodomésticos? Frutas? feridos ou mortos e será que eu ligo?? Nah!! Vamos saqueando!

Carreta que transportava gado tomba na BR 381 em Betim. Pessoas que passavam por ali queriam levar a carne dos animais mortos.


E ainda o absurdo, um prédio de departamentos pegou fogo, enquanto os bombeiros tentavam controlar as chamas e isolar a área, em busca de feridos adivinha?? Gente saqueando prédio em chamas!!!

Me lembrei agora também do saque ao supermercado incendiado em Salvador, (não tinha mais chamas). 


E mais um outro que pegou fogo e até os funcionários ajudaram a saquear o local, furtando eletrônicos e celulares em Vilhena, Rondônia.






Aliás, casos de shoppings, prédios, lojas, galpões que pegam fogo e logo aparecem os saqueadores é comum! Absurdamente comum.






É a alma de corsário, maldita vidas passadas!







Sir Francis Drake em 1591, o maior corsário da história
 
(Fonte: Wikipedia)












Fato é que esse comportamento é bem humano, acontece em outros países, em outras épocas, outras eras, outros acontecimentos.


O que nos falta é educação, mas não aquela de escola, é aquela de família mesmo, de aprender que tem que respeitar os outros, que não pode roubar, que é feio. Quebrar esse paradigma de vitima da sociedade, de ficar buscando reparação, de querer levar vantagem em algo para se sentir bem, ou por achar que merece. Parar de achar que isso é uma vantagem, uma historia para se orgulhar!


O estado tem que punir severamente, mas as famílias têm que educar, ensinar o respeito, o amor ao próximo. É essa educação que nos separa dos países ditos de primeiro mundo, países ricos, onde os índices de corrupção são menores que os nossos.


4 de fevereiro de 2017

Contestando mudanças ( O Retorno!?)



Depois de muito pensar cheguei a conclusão que uma boa maneira de retornar após esse silêncio de 8 anos é refutando uma ideia antiga. Então porque não falar de Mudanças!?



Mudar passou a ter uma definição tão simples mas ao mesmo tempo complexa demais para explicar. Dizer que alguém muda ou que pode mudar vai além de um simples corte de cabelo ou de um hábito cotidiano. Você pode mudar de opinião, de aparência, pode mudar seus gostos, suas convicções! Pode mudar de ramo, de país, mudar de sexo, mudar de vida!


Mas não pode mudar quem você é.




Não se trata de personalidade, é mais profundo… você pode ser quem você quer ser! Mas não pode mudar e ser outra pessoa que não você mesmo.


Vemos pessoas antes preguiçosas e que agora são exemplos de boa saúde, perfeitas inspirações fitness! Mas isso não significa mudança, isso são hábitos… um hábito novo a gente pode construir com esforço, com repetição, tendo alguma motivação.



Você pode mudar a maneira como as pessoas veem você!



Acredito em todas as mudanças ao meu redor, na minha vida, nos meus amigos, e nos semelhantes, apenas dou outro nome a maioria delas.


Algumas coisas, nas quais já nos prendemos, com o passar do tempo, conseguimos nos libertar de tal forma que nem parece que já tivemos alguma relação. Na maioria das vezes isso é evolução, crescimento, nos desprendemos de apoios para seguir em frente, isso é parte do processo de ser quem você é.


Às vezes é diferente, não conseguimos nos desprender com facilidade, e seguimos por muito tempo carregando vícios, amarrados passionalmente a estacas, impossibilitados de seguir adiante. E acabamos por levar muito tempo para escapar dessa prisão, por vezes é necessário inclusive uma ajuda externa. E quando enfim esse desencarceramento acontece não é a mudança que atingimos, mas a superação.


Muitas vezes o que vemos na mudança do outro é o que chamamos de adaptação. Algumas pessoas acabam se adaptando melhor ao ambiente. Conheço pessoas que se adaptaram a ausência de seus vícios, (vícios não apenas toxicológicos… mas também os vícios espirituais, da carne… ) mas estes ainda os perseguem.




Às vezes é necessário uma ideologia, uma nova convicção. Um caminho diferente que nos resgate, que nos motive a segui-lo, e para isso criamos hábitos, e insistimos até que estes hábitos se tornem mecânicos e, com isso nos adaptamos e as vezes até nos ‘reprogramamos” mentalmente, e isso dá uma sensação de mudança… mas lá na essência ainda somos quem somos.



Sobre meu amigo Lula Molusco… então, ele continua a trilhar o caminho dele, seguindo em frente, não está alienado com seu estado de “mudança”, ele aceitou um novo caminho, que trouxe novas convicções, e tem buscado motivação para construir seus novos hábitos, que irão fazer com que ele se adapte mais facilmente e consiga no fim alcançar a sua superação.


Mas ele tem sido bem honesto ao dizer que ainda é o mesmo dentro daquele corpo, que ele continua vivo e imutável em sua mente, buscando a sua maneira seu correto lugar no mundo.





Ps.: Talvez daqui a 8 anos eu "mude" novamente minha opinião!

4 de novembro de 2008

Mudanças...

Certa vez escutei que as pessoas não mudam. Achei muito estranho pensar assim... é o mesmo que dizer que, se é ruim... será sempre ruim. Quem me disse isso, justificou que a mudança está na maneira como vemos as coisas... que uma pessoa não muda, o que muda é a maneira como vemos essa pessoa.


Continuo ainda achando muito estranho essa afirmação... mas concordo que a visão que temos do mundo ao nosso redor mude constantemente, mas o que realmente me chama a atenção é o fato de causarmos mudanças.


Eu tenho um amigo Lula Molusco, bom... na verdade eu tinha! Sim... meu amigo, que era conhecido no trabalho como um funcionário Lula Molusco, que estava sempre deprimido, insatisfeito... e tudo que há de ruim para ser ou sentir está renovado! Aparentemente encontrou "paz" em uma "religiosidade"... não dessas rigorosas, frias e cheias de regras... mas daquelas que buscam justificar tudo como sendo "parte do processo de aprendizado".


Não posso afirmar com esse exemplo se:



1º. Meu Amigo deixou de ser um Lula Molusco (Ele mudou...)

2º. Minha forma de vê-lo mudou.

3º. O novo caminho que ele resolveu seguir, causou uma mudança na vida dele, consequentemente mudou a forma com a qual eu o vejo, porque talvez ele mesmo tenha mudado ou quem sabe, nada verdadeiramente mudou...


O importante é que ele agora está feliz, er... hum... aceitando melhor a vida como ela é. Espero que está nova fase dure bastante, porque independente do "nível" em que houve a mudança... a verdade é que mudanças existem... e nesse caso, me senti afetado por ela.

7 de outubro de 2008

O Tempo Que Não Temos


Que bom seria se o tempo corresse a nosso favor! Infelizmente não é assim que as coisas funcionam...


Ultimamente não estou tendo tempo para nada. Mas afinal, quem está tendo? O tempo corre alheio às desventuras cotidianas. Estou tocando alguns projetos, nada muito importante... ainda! Mas com isso estou sem tempo para me dedicar às coisas que gosto, que me fazem bem! Gostaria de passar mais tempo aqui, escrevendo, como também gostaria de poder me dedicar mais ao meu curso de japonês... (que faço sem que ainda tenha encontrado uma utilidade para isso!!)


Recentemente aceitei um trabalho fora de minha cidade que tem me tomado muito tempo mas, acredito que será proveitoso no final das contas. Ainda tenho um caminho longo em busca de uma concretização profissional. Existem muitas situações pendentes na minha vida, e levará um tempo até que tudo se encaixe. Buscar crescimento na vida exige sacrificios, e meu tempo livre tem sido um destes.


Às vezes penso sobre o tempo que passou, as várias situações que vivi e as que deixei de viver... me arrependo mais do que não fiz. Embora tenha feito muita coisa inútil e desnecessária, principalmente entre 16 e 25 anos (época que prefiro chamar de “LIVIN' LA VIDA LOCA”) sinto que a grande maioria foi muito proveitosa. Vivi muita coisa nesse periódo que me deu uma base sólida a respeito de como seguir minha vida, na forma de ver o mundo a minha volta.


Há que se aproveitar bem o tempo, “o tempo é tudo que temos”. Gostaria muito de ter mais tempo... mas certamente, se o tivesse, mesmo assim, ainda não seria suficiente! Ser intenso ao viver as coisas que lhe dão prazer é uma maneira gratificante de se aproveitar bem o tempo que se tem. Lamentar o tempo perdido é apenas mais uma forma de se perder mais tempo. Passar tempo demais envolto aos problemas e adversidades, além de dificultar o encontro da solução necessária, apenas trará mais atraso.


A grande diferença entre as pessoas que vivem a vida e aquelas que apenas passam pela vida está na maneira com a qual, imbuídas de coragem, buscam intensificar suas experiências, aproveitando ao máximo o tempo que possuem.

5 de setembro de 2008

Telejornalismo - Informação ou Opinião?

Para onde caminham nossos meios de comunicação, em especial a área de jornalismo? Há um tempo atrás havia uma padronização nos telejornais, costumavam ser duas edições, divididas em tarde e noite, aonde a maioria dos canais abertos concorriam pela audiência, mantendo o mesmo formato na apresentação das matérias.


Sempre achei cansativo esse modelo de jornalismo, pessoas sisudas, apresentando de maneira uniforme os principais acontecimentos da região, país ou mundo. Nunca aceitei que para passar credibilidade um jornalista ou repórter deva parecer um boneco sem vida. Acreditava que um jornal não precisava ser, necessariamente chato, para ser verdadeiro e transparente.


Eis que surgem os telejornais extremamente regionais, com uma linguagem popular, voltados à população carente que, honestamente mais parecem programas de auditório. A bancada dos apresentadores deu lugar a um “palco” aonde o apresentador anda de um lado para o outro se exaltando a cada noticia apresentada! O sensacionalismo volta com tudo nesse modelo que cativa cada vez mais a audiência.


Há telejornais que sorteiam prêmios (dinheiro, ingressos para espetáculos...) para seus telespectadores, outros fazem uso de “personagens” para conquistarem audiência, e alguns apresentadores são verdadeiras máquinas de disseminação do ódio.


Não me preocupo com o fato de um telejornal se transformar em circo. Aonde o apresentador quebra moveis, chuta computadores, e esbraveja para demonstrar sua indignação. Me preocupa o fato de que, ao invés de informação estamos absorvendo opinião. Já me peguei irado com noticias envolvendo crimes pelo simples fato do apresentador ficar gritando “vagabundo”, “marginal”, “monstro”... não nego que nesse momento de ira odiei o “suspeito” da reportagem pelo crime apresentado! Fico pensando o que essas palavras repetidas infinitas vezes na tv, durante uma reportagem criminal, pode fazer na cabeça de muitas pessoas. Principalmente daquelas que, munidas de paus e pedras correm para a delegacia para linchar o até então “suspeito”. Isso, definitivamente não é formar opinião!


Falando em suspeito, recentemente um rapaz foi preso acusado de ter estuprado e matado duas mulheres. Uma equipe da imprensa acompanhou o caso. Durante a exibição da matéria em um telejornal local, o apresentador não poupou esforços para que o “suspeito” (lembrando que: inocente até que se prove o contrário) fosse praticamente enforcado! Pois é... duas semanas depois, a polícia encerrou as investigações e prendeu o verdadeiro culpado... Não preciso dizer que a vida de nosso “suspeito” inicial acabou...


Esse tipo de jornalismo, que está também presente em outros meios de comunicação, é abusivo e manipulador. Eu penso que um jornalismo verdadeiramente interessante está longe de ser esse circo, mas não precisa ser chato e cansativo, cheio de mensagens subliminares também. Há muito ainda que se mudar no mundo... e para que haja mudanças é necessário informação... limpa, direta e principalmente... imparcial!

1 de setembro de 2008

Jardim de Infância - Jardim da Vida

Acabei de comprar um livro que estava doido para ler... "Tudo que Eu Devia Saber Aprendi no Jardim-de-infância". Ainda não li o livro, mas o titulo me fez relembrar meus momentos na escolinha. Certamente uma das épocas mais marcantes, quantas lembranças agradáveis! E me sentindo um pouco nostálgico, resolvi escrever um pouquinho.


Embora não há como relatar todo o meu período no Jardim, ao me recordar, percebi que muitas coisas que eu realmente devia saber como, dividir, respeitar, amar, superar, insistir, conviver, lutar, etc... tinha aprendido mesmo no Jardim-de-Infância! Pena que a adolescência me tirou boa parte desses ensinamentos... (mas os resgatei mais tarde...)


Meu primeiro amor platônico veio precocemente, no jardim de infância... ah... aqueles cabelos dourados me encantaram. Vibrava com pequenos momentos que às vezes dividíamos juntos, eu, extremamente tímido, passava muito tempo a observar-la, como ela era popular! Era filha do dono do salão, o único unisex da região... não gostava de cortar cabelo lá... mas passava às vezes na porta, quando saía com minha mãe, e ficava ansioso para vê-la. Engraçado como percebia, já naquela época, a diferença social entre nós... naquele momento confirmava-se a minha sina com as donas de cabelos amarelos.


Meu primeiro grande amigo! Também foi no jardim de infância! Estávamos sempre juntos... inclusive nos castigos... fui muitas vezes para o canto ao lado do quadro negro... ficar com a cara na parede... eu de um lado... ele do outro, era difícil manter a seriedade, mesmo de castigo, éramos palhaços assumidos. Quando o castigo era maior, ficávamos trancados no banheiro durante o horário do recreio... era um banheiro limpo mas pequeno... e às vezes, juntava-se a nós mais um ou outro, colocado lá para repensar as atitudes.


Também foi no jardim que passei pelo meu primeiro vexame publico (o primeiro de muitos!!) rasguei as calças no escorregador (hoje, agradeço a Deus que tenha sido somente as calças), fui para casa com os "fundilhos" à mostra! Não conheço ninguém que não tenha tido alguma experiência traumática no jardim... Mas, era questão de poucos dias para superarmos a dor da humilhação ou para que alguém nos substituísse no hall da vergonha... me lembro vagamente de também ter feito xixi nas calças...


Participei de uma peça de teatro, não me lembro mais qual era, apenas me lembro de ter feito o papel de sol, tive apenas duas experiências teatrais... na segunda fiz o papel de... "mato"!?!?!? Sim... eu fui também o mato... :-) Descobri que representar não era bem a minha praia... ótimo, porque eu também não gostava!


Era gostoso ir para o jardim... era um bombardeio de sensações... o inicio do convívio social, as brigas por pouco ou por nada... os estímulos visuais! Paredes cheias de desenhos carregados de cores fortes e personagens sorridentes, o cheiro do Giz de cera e o odor forte de álcool que vinha do mimeografo. A alegria em ver se aproximar o carimbo, sempre com dizeres alegres do tipo, você brilhou, que mancharia o caderno com uma cor viva como o vermelho. Sem falar no carinho e afeto das "Tias" que teimavam em nos abraçar mesmo contra nossa vontade. As pequenas excursões e passeios que fazíamos... descobrindo um mundo novo, experimentando um sentimento de liberdade e euforia...


Tudo era festa... Dia do Índio, Dia da Bandeira, Dia das Crianças... e até os dias comuns...


"Comecinho de Vida" era e ainda é o nome dessa escolinha que frequentei... aonde dei meus primeiros passos para a vida. Me desviei muito do que aprendi lá, mas nunca me esqueci. Aprendi lições importantes que, talvez se tivesse aplicado desde o inicio, certamente teria tido uma vida mais feliz e tranquila.


Sobre o Livro

Tudo que Eu Devia Saber Aprendi no Jardim-de-Infância


Sinopse (Retirada de: Cia dos Livros)


Comparado a clássicos como O pequeno príncipe e Fernão Capelo Gaivota, este livro reúne textos curtos, crônicas líricas e bem-humoradas que lançam uma luz sobre o cotidiano. Revelando o que há de nobre nas pessoas comuns, o que há de grandioso nas situações banais, Robert Fulghum toca o coração do leitor e desperta nele uma nova percepção. Os temas dos textos são os mais variados - o prazer da comida da infância reencontrado num bar de beira de estrada, a surpreendente sabedoria de um velho sapateiro judeu, o escandaloso amor dos guaxinins, o menino surdo que no outono recolhe as folhas caídas das árvores, a experiência metafísica proporcionada pela lavagem de um cesto de roupas sujas.

27 de agosto de 2008

A Impossibilidade de se Ver Adiante

Será que o fato de não podermos ver adiante em nossas vidas é realmente um fator limitador na busca pela felicidade? Não conheço todas as músicas do Lenine... mas fiquei pensando em uma de suas canções (das poucas que conheço).


"Meu amor o que você faria?

Se só te restasse esse dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria..."


Percebo que esta é uma pergunta que não poderia ser respondida racionalmente. É preciso muito mais que a razão para entender uma situação assim. Mas mesmo assim não deixa de ser uma pergunta válida! Infelizmente, a maioria esmagadora não tem condições de responder. A incerteza do termino de nossa existência faz com que a ignoremos. Preferimos a segurança das certezas que já temos a perder tempo pensando em coisas que não teremos certeza.


Particularmente, eu não acredito em certezas... ter a certeza de que algo dará certo, que alguma coisa funcionará é jogar com a sorte. É o mesmo que adivinhar o futuro... a única certeza que tenho é que um dia, vamos deixar esta existência.


Mas estranhamente vivemos nossas vidas como se estas não fossem acabar... ou como se a longevidade humana fosse bíblica... algo na casa do 500 anos... essa equação que transforma 75 anos em 500 talvez seja o motivo para deixarmos tanta coisa para depois.


Quem sabe Rogério Flausino não esteja correto? Será que realmente:


"Vivemos esperando

Dias melhores

Dias de paz, dias a mais

Dias que não deixaremos

Para trás"


Não acho que quem espera sempre alcança... não acredito que o tempo é o senhor da razão, talvez a verdade seja que quem espera sempre se acomoda. A espera só é valida quando se sabe exatamente a hora de agir. Eu posso esperar pelo meu programa de tv favorito, pois sei exatamente quando ele começa. Algumas coisas se iniciam após outras... sabendo quando determinada situação terá fim é que poderei iniciar um novo ciclo...


Mas por que esperar para viver o que nos faz bem? Por que aceitar tantas regras impostas na nossa busca por momentos felizes? Por que tantos empecilhos?


A pergunta exata é: "E se só te restasse esse dia?"

25 de agosto de 2008

Releituras

Ler é um hábito saudavel, um ato que nos transporta para um novo mundo. Como é gostoso ler um livro e de imediato nos identificarmos com algum personagem. Li muitos livros no começo da adolescência que me deixaram boas recordações! Aventuras que vivi apenas lendo.


Pensando nisso me lembrei do Filme "A História Sem Fim", aonde o menino Bastian ao ler o livro, era transportado para o mundo de Fantasia para reescrever a história. Eu assisti também às 2 sequências, mas confesso que achei o primeiro melhor! Além da mensagem que há em cada filme, existe uma que eu não me esqueci.


"... Este não é um Livro comum... a história muda cada vez que você a ler!..."


Hoje pensando melhor sobre isso chego a conclusão que muitas vezes não estamos prontos para "aceitar" ou entender novos pontos de vista, novas reflexões, que tudo depende do "momento" em que nos encontramos. Sendo assim, existirá uma grande chance de que, ao ler novamente algum texto, tenhamos uma nova visão ou compreensão daquela mensagem ou até mesmo um entendimento próprio, baseado em nossa própria reflexão.

Ler de novo um livro que marcou nossa memória pode vir a se tornar uma nova descorberta. Isso é explorar a nossa capacidade de reaprender, de olhar por outro ângulo. Que sempre podemos aprender, mesmo que a mensagem seja antiga.


Um livro fantástico que li há muito tempo foi "Fernão Capelo Gaivota".



Dono de uma mensagem tão simples e ao mesmo tempo tão necessária, o livro trata de sonhos, superação, busca da identidade e aceitação.

16 de agosto de 2008

Música - Manifestação dos Sentimentos

Para viver é necessário sentir, mas a cada dia caminhamos para a frieza, vemos a cada dia a banalização das coisas se tornarem mais evidentes, a violência deixou de ser "fascinante" ou assustadora para se tornar apenas um fato comum e rotineiro.


A sensibilidade não é um dom, é um aprendizado! A sensibilidade no torna capaz de entender (mesmo que não compreendamos) os problemas alheios. A sensibilidade é o que nos faz sentir intensamente o mundo a nossa volta, que aguça nossos sentimentos. E na minha pequena visão, somente com os sentimentos "à flor da pele" é que realmente tornamos fantásticas nossas experiências!


As artes são a materialização de sentimentos. A expressão máxima originada da sensibilidade. Cada um se expressa da maneira que melhor flui seus sentimentos.


A música é sem dúvida uma das expressões mais ricas em sentimentos. Gosto muito de teatro, cinema, sou apaixonado pela obra de Frida Kahlo, adoro literatura, mas vejo na música uma ancora para as lembranças... às vezes "de tudo que eu ainda não vi". Para mim, a música tem o poder de marcar! Mais até que as lembranças... escutar uma música que fez trilha sonora de um momento vivido é resgatar todas aquelas emoções (às vezes sofridas). E o engraçado é que esse resgate emocional se dá mesmo que a situação que vivi já não faça mais diferença em minha vida.


E foi com esses olhos que assisti na quarta feira dia 06 ao programa Astros do SBT. Tenho acompanhado o programa para ver as composições, novas criações. Tenho gostado muito! Mas alguém me chamou atenção! Não pela forma com a qual se apresentou, mas pela simplicidade e beleza da composição. Eu realmente fiquei emocionado com a apresentação da Chris Carvalho. Lindo!






A beleza das coisas está na sensibilidade com a qual vemos. Dotados de sensibilidade, encontramos alegria nas pequenas coisas que compõem nosso dia-a-dia. A violência, o descaso, a banalização causada pela mídia nos deixa cegos. Mas basta procurar dentro de si que encontrará a sensibilidade necessária para sentir. Viver só é pleno quando inundado de sentimentos.

15 de agosto de 2008

Imagem - Reflexo Nem Sempre Verdadeiro




Imagem não é nada, já dizia a velha propaganda daquele refrigerante... embora deva discordar que outro liquido qualquer possa realmente "matar" a sede senão a água...


Meu avô sempre dizia que a única coisa que a pessoa tem é o "nome", que por mais que se acumule bens na vida, o que realmente irá importar no final das contas é a forma como somos vistos, a forma como falam de nós. A nossa reputação nos precede. E nem adianta tentar dizer que não se importa pelo que os outros falam de nós, porque em verdade nos importamos sim! Aqueles que não se importam, na maioria das vezes se julgam superiores àqueles que dizem algo. É comum ouvir coisas do tipo: "Não ligue para o que falam "fulano", você é superior a isso..." ou, "Quem é "beltrano" para falar algo de mim?"... pois é... quem é, né? Mas acho que a pergunta certa seria, quem sou eu para pensar que o que outras pessoas falam não me abalam ou influenciam? Será que sou realmente tão superior aos outros ao ponto de me tornar inatingível?


Independente dos motivos que levam alguém a falar em prol ou contra nós, a verdade é que isso influência diretamente na forma como somos vistos, na maneira como nossa "imagem" é construída! Classificações como fofoqueiro, encrenqueiro, mentiroso e ladrão com certeza causam danos, às vezes irreversíveis dependendo da situação em que forem empregados.


Não existe uma formula exata para evitarmos que essas coisas aconteçam. Pessoas que gostam de conversar pelos "cotovelos" estão em todo lugar... não há como fugir disso. Existem várias leis de proteção a integridade moral, muitas vezes nos valemos delas para nos defender. Mas quando chega o ponto de recorrer a uma medida dessas é porque o caldo já entornou, e por mais que tenhamos razão, ficará ainda a mancha. O que é falado de mal causa alvoroço e estardalhaço, mas o que nos falam de bem... quase ninguém escuta.


Independente das relações humanas e da imagem de cada um, o que realmente me incomoda é a responsabilidade, ou melhor, a irresponsabilidade que muitas pessoas tem com a sua imagem. Um bom exemplo disso acontece agora com a chegada das eleições! Começam os comícios, promessas que não serão cumpridas, já ouvi até políticos prometerem realizar ações que, mesmo que se elejam, não conseguirão. Ações cabíveis apenas ao poder judiciário. Mas o povo em sua eterna alienação e, claro, na busca por esperança, acredita. O que torna impossível a mudança é que entendemos que "esperança" é um sinônimo de "esperar" ou melhor, esperar com fé. E por isso nos sentamos e esperamos com fé que aquela "imagem" política irá mudar alguma coisa. Ajudamos a construir aquela imagem... dizem que o retrato do povo são os seus representante legais. Talvez por isso eu odeie tirar foto.


Esperar com fé... é, talvez eu me sente na calçada na esperança que aconteça algo de novo em minha vida... mas creio que a única coisa mais provável seria que eu fosse atropelado. (Atualmente os veículos parecem preferir trafegar pela calçada.)


Ah! Existe ainda aquele tipo de pessoa, muito conhecida na regional aonde mora, detentora de uma imagem de bom cidadão, trabalhador, honesto que costuma participar amplamente nas campanhas de determinados partidos. Novamente na esperança (vide: "esperar sentado e com fé!") de estar favorecendo a comunidade, emprestam sua "imagem" de pessoa integra para defender os interesses de outros (quando com sorte, ao invés de empréstimo, vendem a imagem). Vender a imagem é um bom negócio! Você trabalha a vida toda, constrói um "nome" e, depois... vende! Afinal de contas... Não existe responsabilidade! Não haverá qualquer retaliação a minha imagem caso o "produto" que a tenha estampado não der certo!


Não ficarei falando de política. Já "militei", conheço pessoas que me contaram histórias incríveis sobre os bastidores da falcatrua, vi presidente ser eleito por que tinha uma "imagem linda"! (bom, gosto é gosto...) na verdade... Acredito que mesmo que alguém tenha boas intenções ao ingressar na política, nada poderá fazer... Uma maçã dentro de uma sacola de outras frutas estragadas com certeza apodrecerá também. Tenho uma solução básica e simples para resolver esse problema... muito simples mesmo (boba até!)... é uma solução radical, mas isso não é assunto para agora...


Falando em venda de "imagens" sem responsabilidade... fico abismado como existem inúmeros bens de consumo com a imagem de pessoas públicas... Basta entrar no supermercado e está lá! Prateleiras lotadas de itens com fotos de algum artista consagrado. Fico me perguntando se realmente tal pessoa, famosa, praticamente uma celebridade utiliza mesmo aqueles produtos. Fico observando como é tão fácil endossar um produto... basta participar de alguma campanha publicitária, ter um bom agente, chegar a um acordo financeiro agradável, assinar um contrato... e pronto! Caso o produto seja uma farsa... ou pior, prejudique de alguma forma o consumidor, apenas a empresa fabricante daquele produto será responsável!! E nessa hora, cadê o "famoso"??


Vivemos num mundo de ídolos... a todo momento tietes correm desesperadas de um lado para outro atrás de uma caligrafia ordinária em um bloco de recados... se vangloriam em seus fã-clubes dos garranchos rabiscados em pedaços de papéis amontoados e exaltados como troféus.


É claro!! Não entendam-me mal!! É muito importante enaltecer o trabalho, a arte e a humanidade das pessoas! Ser fã do trabalho de alguém é muito saudável, muitas vezes a arte criada por alguém nos serve de fonte de inspiração!


Mas o que quero dizer é que, as pessoas que vendem suas imagens impulsionam as vendas desses produtos, Mas em suma, não possuem nenhuma responsabilidade. Sem perceberem ajudam a manter um mercado vicioso por endossarem coisas ou pessoas que, não fazem a menor idéia do que ou de quem sejam! Aonde está a responsabilidade destas pessoas com seus fãs?


Uma vez fui a um "showmicio" (ok, política só mais um pouquinho), Após o mesmo blá-blá-blá de sempre, o candidato trouxe ao palco improvisado uma dupla sertaneja. Bom, a dupla elogiou o político, abraçou! Falaram bastante sobre os "pobremas" que teriam solução... (e repetiram "pobremas" várias vezes...) e no final do pequeno discurso um dos cantores disse que se o "Fulano" fosse eleito prefeito, muita coisa iria mudar para melhor!! (um pequeno detalhe... o "fulano" era candidato a Deputado Estadual)... Bom, esse erro foi corrigido minutos depois da gafe, mas na ocasião, não me espantei com o português bem falado da dupla, nem com a ignorância que demonstraram não apenas ao errarem o cargo do candidato, mas também por serem evasivos sobre os tais "pobremas" da região... afinal de contas, eles não estavam ali para discursar... e sim para endossar a candidatura... e foi isso que fizeram. O que realmente me espantou foi como a campanha "publicitária" que este candidato fez o elegeu! A maioria do povo o elegeu pelo simples fato de que várias "imagens" o apoiaram...


Mas e quando acontece algum problema? Aonde estão estes “endossos”? Essas "imagens"? Talvez gastando o dinheiro ganho de seu "cachê"... Eu sei disso... Eu sei que isso acontece... programas de tv que recebem dinheiro para promover câmeras digitais de péssima qualidade, aonde o anunciante insiste em dizer que você pode até estar morto que mesmo assim não haverá restrições para que a venda seja feita (e muitas vezes ajudado pelo apresentador do programa!). Eu vejo isso acontecer... acredito que você também veja... Mas a grande maioria está cega a esses fatos.


Usamos o famoso detergente que limpa mesmo com uma gota diluída em 2 litros de água, as tintas de cabelo que tem a foto da dançarina das pernas grandes, a câmera campeã em reclamações na internet que custa quase o triplo de uma de marca famosa. O shampoo!! Ah, o shampoo... que promete mundos e fundos aos donos de cabelos crespos, endossado por alguém que, devido à etnia européia, com certeza nunca usou!! Usamos produtos endossados por pessoas que embora afirmem a eficácia de determinado item, não possuem outra função que não seja a de "alugar" sua credibilidade a produtos com o uso de sua imagem.


Será que usamos bem a nossa imagem? Será que realmente não nos importamos com a imagem que fazem de nós? E a imagem que passamos às pessoas que devemos algum respeito e ou educação? Ou no fim a propaganda é que está certa... afinal, "Imagem não é nada, sede é tudo..."

11 de agosto de 2008

O Valor das Idéias

Pensar, raciocinar, é um dom, presente divino dado a nós, seres humanos. Do pensamento livre criamos nosso mundo, definimos quem somos e como vemos e ou reagimos às coisas. Do pensamento vem a necessidade de expressão. Expressar o que pensamos e sentimos é vital para o amadurecimento humano. Colocar nossas idéias em contraste com outras nos torna analíticos. Usamos a arte para transformar em concreto o nosso pensamento abstrato.


Mas é interessante ver que poucas pessoas tenham coragem de defender seus pontos de vista. Às vezes por medo de represálias. Quando me refiro a retaliações por causa do que pensamos, não quero dizer sobre pensamentos cotidianos, como gostos por cores e sabores. Existe no âmago de cada um uma consciência livre, ora travessa, ora séria, mas sempre honesta que busca nexo no raciocínio que faz por meio de reflexão.


Estranho é, que após algum reconhecimento pessoal, algumas pessoas começam a experimentar a liberdade de dizer o que pensam. E fortalecidas nesse reconhecimento, muitas das vezes não merecido, iniciam um “chuva”de besteiras. Falam absurdos imensos apoiadas por uma legião de surdos que sequer procuram entender o que foi dito, simplesmente aceitam devido a origem dessas palavras, afinal, partiu de alguém que recebeu reconhecimento, que detém algum tipo de status. Idéias essas, muitas vezes contraditórias ao que julgavam ser o certo, mas dado que tal pessoa que proferiu “aquelas” palavras é alguém público, as “besteiras” passam a significar a verdade absoluta e indiscutível.


Ainda há aqueles que se valem do anonimato, da segurança de não terem suas idéias rebatidas, para “gritarem” aos quatro ventos idiotices sobre assuntos que mal conhecem. Algumas dessas pessoas nem se deram ao trabalho de pensar a respeito, apenas repetem o que ouviram, e muitas vezes acabam dizendo coisas absurdas. Existem também outras pessoas que, por vários motivos, são manipuladas para se tornarem portadores da opinião de alguém que, além de disseminar uma idéia que não tem coragem de expor, ficará por trás das cortinas vendo os acontecimentos desencadeados.


Talvez tenha ficado um pouco vago o que quis dizer, mas sei que “todos” já perderam algum amigo por “idéias” disseminadas por alguma mente cruel. Boatos e ou verdades envolvendo nosso nome, feitos unicamente para magoar alguém são acontecimentos muito comuns em nossa vida. Por muitas vezes nos calamos por temer o que poderá acontecer caso digamos o que realmente pensamos de determinada situação.




"Cogito, ergo sum" (Penso, logo existo) René Descartes, filósofo, físico e matemático francês, "o criador da filosofia moderna" e "pai da matemática moderna".


Ok, eu sei que quando Descartes disse essa frase, ele se referiu a prova da existência do próprio eu. Mas farei uso de uma outra interpretação, ou melhor... vou completa-la! Se “penso, logo existo” então seria certo dizer que, “se existo, mas não digo ou manifesto o que penso, logo não vivo!”.


Falamos muito, mas dizemos muito pouco... vivemos com receio (e ou medo!) de dizer o que realmente pensamos... E muitas vezes somos ridicularizados após manifestar uma idéia. Mas interessante é observar que basta se tornar famoso, célebre, popular para termos nossas idéias aceitas como parte de alguma verdade. Isso sim é assustador.


Mesmo grandes pessoas tiveram medo de expor suas idéias. Carlos Drummond de Andrade, poeta mineiro, formado em farmácia, com obra publicada em 13 línguas, inclusive em latim e braile. Dono de uma biografia fantástica, teve após a morte mais alguns livros publicados, entre eles O amor natural" (poemas eróticos).



Fico pensando se este livro realmente seria publicado caso Drummond ainda vivesse... não posso afirmar nada, mas me lembro bem do ano de 1992, da publicação do livro pela editora Record... porém, a lembrança que tenho mais forte é a das críticas que o livro recebeu.


Direi aqui que, a poesia pode ser extraída de qualquer visão que se tenha... de qualquer pensamento ou sentimento... basta para isso se expressar... mas o que é bem curioso é que, se fosse eu que tivesse publicado tal livro... com o mesmo conteúdo, ou melhor, se fosse eu que tivesse a chave da casa de Drummond, e tivesse entrado em sua residência, recolhido esse material e publicado em meu nome... ai as coisas teriam sido totalmente diferentes... O status que Drummond alcançou em vida lhe deu o privilégio de ter publicado este livro... e tenho certeza que seria um sucesso mesmo se este tivesse sido publicado quando o poeta ainda estava vivo. Mas se ele fosse apenas mais um qualquer... AH, com certeza seria reconhecido apenas como mais um velho tarado.


Assim são as idéias. Uma idéia não manifestada não passa de um mero pensamento preso, que em breve será esquecido... uma idéia lançada ao vento está sujeita a interpretação. Agora, dependendo de quem a pessoa é... ou o que ela faz na vida... não precisa pensar, raciocinar... apenas dizer alguma bobagem...


Minha cabeça fervilha a cada momento de pensamentos e idéias, algumas me sinto livre para expressar... mas a grande maioria não pode ser dita de qualquer maneira, não pelo fato de que não tenha coragem... muito pelo contrario... pago um preço muito grande pela coragem que tenho... mas sim porque não podem ser ditas sem o prévio conhecimento de quem as escuta. Infelizmente não encontrei muitas pessoas aptas a me escutar.


A grande maioria das pessoas quando escutam coisas que não fazem parte da realidade delas tendem a classificar estas idéias como subversivas, errôneas, ou devaneios. Mas há que se saber que uma idéia guardada é uma semente que não germinará. Homens morrem... mas as idéias permanecem...