Acabei de comprar um livro que estava doido para ler... "Tudo que Eu Devia Saber Aprendi no Jardim-de-infância". Ainda não li o livro, mas o titulo me fez relembrar meus momentos na escolinha. Certamente uma das épocas mais marcantes, quantas lembranças agradáveis! E me sentindo um pouco nostálgico, resolvi escrever um pouquinho.
Embora não há como relatar todo o meu período no Jardim, ao me recordar, percebi que muitas coisas que eu realmente devia saber como, dividir, respeitar, amar, superar, insistir, conviver, lutar, etc... tinha aprendido mesmo no Jardim-de-Infância! Pena que a adolescência me tirou boa parte desses ensinamentos... (mas os resgatei mais tarde...)
Meu primeiro amor platônico veio precocemente, no jardim de infância... ah... aqueles cabelos dourados me encantaram. Vibrava com pequenos momentos que às vezes dividíamos juntos, eu, extremamente tímido, passava muito tempo a observar-la, como ela era popular! Era filha do dono do salão, o único unisex da região... não gostava de cortar cabelo lá... mas passava às vezes na porta, quando saía com minha mãe, e ficava ansioso para vê-la. Engraçado como percebia, já naquela época, a diferença social entre nós... naquele momento confirmava-se a minha sina com as donas de cabelos amarelos.
Meu primeiro grande amigo! Também foi no jardim de infância! Estávamos sempre juntos... inclusive nos castigos... fui muitas vezes para o canto ao lado do quadro negro... ficar com a cara na parede... eu de um lado... ele do outro, era difícil manter a seriedade, mesmo de castigo, éramos palhaços assumidos. Quando o castigo era maior, ficávamos trancados no banheiro durante o horário do recreio... era um banheiro limpo mas pequeno... e às vezes, juntava-se a nós mais um ou outro, colocado lá para repensar as atitudes.
Também foi no jardim que passei pelo meu primeiro vexame publico (o primeiro de muitos!!) rasguei as calças no escorregador (hoje, agradeço a Deus que tenha sido somente as calças), fui para casa com os "fundilhos" à mostra! Não conheço ninguém que não tenha tido alguma experiência traumática no jardim... Mas, era questão de poucos dias para superarmos a dor da humilhação ou para que alguém nos substituísse no hall da vergonha... me lembro vagamente de também ter feito xixi nas calças...
Participei de uma peça de teatro, não me lembro mais qual era, apenas me lembro de ter feito o papel de sol, tive apenas duas experiências teatrais... na segunda fiz o papel de... "mato"!?!?!? Sim... eu fui também o mato... :-) Descobri que representar não era bem a minha praia... ótimo, porque eu também não gostava!
Era gostoso ir para o jardim... era um bombardeio de sensações... o inicio do convívio social, as brigas por pouco ou por nada... os estímulos visuais! Paredes cheias de desenhos carregados de cores fortes e personagens sorridentes, o cheiro do Giz de cera e o odor forte de álcool que vinha do mimeografo. A alegria em ver se aproximar o carimbo, sempre com dizeres alegres do tipo, você brilhou, que mancharia o caderno com uma cor viva como o vermelho. Sem falar no carinho e afeto das "Tias" que teimavam em nos abraçar mesmo contra nossa vontade. As pequenas excursões e passeios que fazíamos... descobrindo um mundo novo, experimentando um sentimento de liberdade e euforia...
Tudo era festa... Dia do Índio, Dia da Bandeira, Dia das Crianças... e até os dias comuns...
"Comecinho de Vida" era e ainda é o nome dessa escolinha que frequentei... aonde dei meus primeiros passos para a vida. Me desviei muito do que aprendi lá, mas nunca me esqueci. Aprendi lições importantes que, talvez se tivesse aplicado desde o inicio, certamente teria tido uma vida mais feliz e tranquila.
Sobre o Livro
Tudo que Eu Devia Saber Aprendi no Jardim-de-Infância

Sinopse (Retirada de: Cia dos Livros)
Comparado a clássicos como O pequeno príncipe e Fernão Capelo Gaivota, este livro reúne textos curtos, crônicas líricas e bem-humoradas que lançam uma luz sobre o cotidiano. Revelando o que há de nobre nas pessoas comuns, o que há de grandioso nas situações banais, Robert Fulghum toca o coração do leitor e desperta nele uma nova percepção. Os temas dos textos são os mais variados - o prazer da comida da infância reencontrado num bar de beira de estrada, a surpreendente sabedoria de um velho sapateiro judeu, o escandaloso amor dos guaxinins, o menino surdo que no outono recolhe as folhas caídas das árvores, a experiência metafísica proporcionada pela lavagem de um cesto de roupas sujas.