Mudanças...

Certa vez escutei que as pessoas não mudam. Achei muito estranho pensar assim... é o mesmo que dizer que, se é ruim... será sempre ruim. Quem me disse isso, justificou que a mudança está na maneira como vemos as coisas... que uma pessoa não muda, o que muda é a maneira como vemos essa pessoa.


Continuo ainda achando muito estranho essa afirmação... mas concordo que a visão que temos do mundo ao nosso redor mude constantemente, mas o que realmente me chama a atenção é o fato de causarmos mudanças.


Eu tenho um amigo Lula Molusco, bom... na verdade eu tinha! Sim... meu amigo, que era conhecido no trabalho como um funcionário Lula Molusco, que estava sempre deprimido, insatisfeito... e tudo que há de ruim para ser ou sentir está renovado! Aparentemente encontrou "paz" em uma "religiosidade"... não dessas rigorosas, frias e cheias de regras... mas daquelas que buscam justificar tudo como sendo "parte do processo de aprendizado".


Não posso afirmar com esse exemplo se:



1º. Meu Amigo deixou de ser um Lula Molusco (Ele mudou...)

2º. Minha forma de vê-lo mudou.

3º. O novo caminho que ele resolveu seguir, causou uma mudança na vida dele, consequentemente mudou a forma com a qual eu o vejo, porque talvez ele mesmo tenha mudado ou quem sabe, nada verdadeiramente mudou...


O importante é que ele agora está feliz, er... hum... aceitando melhor a vida como ela é. Espero que está nova fase dure bastante, porque independente do "nível" em que houve a mudança... a verdade é que mudanças existem... e nesse caso, me senti afetado por ela.

O Tempo Que Não Temos


Que bom seria se o tempo corresse a nosso favor! Infelizmente não é assim que as coisas funcionam...


Ultimamente não estou tendo tempo para nada. Mas afinal, quem está tendo? O tempo corre alheio às desventuras cotidianas. Estou tocando alguns projetos, nada muito importante... ainda! Mas com isso estou sem tempo para me dedicar às coisas que gosto, que me fazem bem! Gostaria de passar mais tempo aqui, escrevendo, como também gostaria de poder me dedicar mais ao meu curso de japonês... (que faço sem que ainda tenha encontrado uma utilidade para isso!!)


Recentemente aceitei um trabalho fora de minha cidade que tem me tomado muito tempo mas, acredito que será proveitoso no final das contas. Ainda tenho um caminho longo em busca de uma concretização profissional. Existem muitas situações pendentes na minha vida, e levará um tempo até que tudo se encaixe. Buscar crescimento na vida exige sacrificios, e meu tempo livre tem sido um destes.


Às vezes penso sobre o tempo que passou, as várias situações que vivi e as que deixei de viver... me arrependo mais do que não fiz. Embora tenha feito muita coisa inútil e desnecessária, principalmente entre 16 e 25 anos (época que prefiro chamar de “LIVIN' LA VIDA LOCA”) sinto que a grande maioria foi muito proveitosa. Vivi muita coisa nesse periódo que me deu uma base sólida a respeito de como seguir minha vida, na forma de ver o mundo a minha volta.


Há que se aproveitar bem o tempo, “o tempo é tudo que temos”. Gostaria muito de ter mais tempo... mas certamente, se o tivesse, mesmo assim, ainda não seria suficiente! Ser intenso ao viver as coisas que lhe dão prazer é uma maneira gratificante de se aproveitar bem o tempo que se tem. Lamentar o tempo perdido é apenas mais uma forma de se perder mais tempo. Passar tempo demais envolto aos problemas e adversidades, além de dificultar o encontro da solução necessária, apenas trará mais atraso.


A grande diferença entre as pessoas que vivem a vida e aquelas que apenas passam pela vida está na maneira com a qual, imbuídas de coragem, buscam intensificar suas experiências, aproveitando ao máximo o tempo que possuem.

Telejornalismo - Informação ou Opinião?

Para onde caminham nossos meios de comunicação, em especial a área de jornalismo? Há um tempo atrás havia uma padronização nos telejornais, costumavam ser duas edições, divididas em tarde e noite, aonde a maioria dos canais abertos concorriam pela audiência, mantendo o mesmo formato na apresentação das matérias.


Sempre achei cansativo esse modelo de jornalismo, pessoas sisudas, apresentando de maneira uniforme os principais acontecimentos da região, país ou mundo. Nunca aceitei que para passar credibilidade um jornalista ou repórter deva parecer um boneco sem vida. Acreditava que um jornal não precisava ser, necessariamente chato, para ser verdadeiro e transparente.


Eis que surgem os telejornais extremamente regionais, com uma linguagem popular, voltados à população carente que, honestamente mais parecem programas de auditório. A bancada dos apresentadores deu lugar a um “palco” aonde o apresentador anda de um lado para o outro se exaltando a cada noticia apresentada! O sensacionalismo volta com tudo nesse modelo que cativa cada vez mais a audiência.


Há telejornais que sorteiam prêmios (dinheiro, ingressos para espetáculos...) para seus telespectadores, outros fazem uso de “personagens” para conquistarem audiência, e alguns apresentadores são verdadeiras máquinas de disseminação do ódio.


Não me preocupo com o fato de um telejornal se transformar em circo. Aonde o apresentador quebra moveis, chuta computadores, e esbraveja para demonstrar sua indignação. Me preocupa o fato de que, ao invés de informação estamos absorvendo opinião. Já me peguei irado com noticias envolvendo crimes pelo simples fato do apresentador ficar gritando “vagabundo”, “marginal”, “monstro”... não nego que nesse momento de ira odiei o “suspeito” da reportagem pelo crime apresentado! Fico pensando o que essas palavras repetidas infinitas vezes na tv, durante uma reportagem criminal, pode fazer na cabeça de muitas pessoas. Principalmente daquelas que, munidas de paus e pedras correm para a delegacia para linchar o até então “suspeito”. Isso, definitivamente não é formar opinião!


Falando em suspeito, recentemente um rapaz foi preso acusado de ter estuprado e matado duas mulheres. Uma equipe da imprensa acompanhou o caso. Durante a exibição da matéria em um telejornal local, o apresentador não poupou esforços para que o “suspeito” (lembrando que: inocente até que se prove o contrário) fosse praticamente enforcado! Pois é... duas semanas depois, a polícia encerrou as investigações e prendeu o verdadeiro culpado... Não preciso dizer que a vida de nosso “suspeito” inicial acabou...


Esse tipo de jornalismo, que está também presente em outros meios de comunicação, é abusivo e manipulador. Eu penso que um jornalismo verdadeiramente interessante está longe de ser esse circo, mas não precisa ser chato e cansativo, cheio de mensagens subliminares também. Há muito ainda que se mudar no mundo... e para que haja mudanças é necessário informação... limpa, direta e principalmente... imparcial!

Jardim de Infância - Jardim da Vida

Acabei de comprar um livro que estava doido para ler... "Tudo que Eu Devia Saber Aprendi no Jardim-de-infância". Ainda não li o livro, mas o titulo me fez relembrar meus momentos na escolinha. Certamente uma das épocas mais marcantes, quantas lembranças agradáveis! E me sentindo um pouco nostálgico, resolvi escrever um pouquinho.


Embora não há como relatar todo o meu período no Jardim, ao me recordar, percebi que muitas coisas que eu realmente devia saber como, dividir, respeitar, amar, superar, insistir, conviver, lutar, etc... tinha aprendido mesmo no Jardim-de-Infância! Pena que a adolescência me tirou boa parte desses ensinamentos... (mas os resgatei mais tarde...)


Meu primeiro amor platônico veio precocemente, no jardim de infância... ah... aqueles cabelos dourados me encantaram. Vibrava com pequenos momentos que às vezes dividíamos juntos, eu, extremamente tímido, passava muito tempo a observar-la, como ela era popular! Era filha do dono do salão, o único unisex da região... não gostava de cortar cabelo lá... mas passava às vezes na porta, quando saía com minha mãe, e ficava ansioso para vê-la. Engraçado como percebia, já naquela época, a diferença social entre nós... naquele momento confirmava-se a minha sina com as donas de cabelos amarelos.


Meu primeiro grande amigo! Também foi no jardim de infância! Estávamos sempre juntos... inclusive nos castigos... fui muitas vezes para o canto ao lado do quadro negro... ficar com a cara na parede... eu de um lado... ele do outro, era difícil manter a seriedade, mesmo de castigo, éramos palhaços assumidos. Quando o castigo era maior, ficávamos trancados no banheiro durante o horário do recreio... era um banheiro limpo mas pequeno... e às vezes, juntava-se a nós mais um ou outro, colocado lá para repensar as atitudes.


Também foi no jardim que passei pelo meu primeiro vexame publico (o primeiro de muitos!!) rasguei as calças no escorregador (hoje, agradeço a Deus que tenha sido somente as calças), fui para casa com os "fundilhos" à mostra! Não conheço ninguém que não tenha tido alguma experiência traumática no jardim... Mas, era questão de poucos dias para superarmos a dor da humilhação ou para que alguém nos substituísse no hall da vergonha... me lembro vagamente de também ter feito xixi nas calças...


Participei de uma peça de teatro, não me lembro mais qual era, apenas me lembro de ter feito o papel de sol, tive apenas duas experiências teatrais... na segunda fiz o papel de... "mato"!?!?!? Sim... eu fui também o mato... :-) Descobri que representar não era bem a minha praia... ótimo, porque eu também não gostava!


Era gostoso ir para o jardim... era um bombardeio de sensações... o inicio do convívio social, as brigas por pouco ou por nada... os estímulos visuais! Paredes cheias de desenhos carregados de cores fortes e personagens sorridentes, o cheiro do Giz de cera e o odor forte de álcool que vinha do mimeografo. A alegria em ver se aproximar o carimbo, sempre com dizeres alegres do tipo, você brilhou, que mancharia o caderno com uma cor viva como o vermelho. Sem falar no carinho e afeto das "Tias" que teimavam em nos abraçar mesmo contra nossa vontade. As pequenas excursões e passeios que fazíamos... descobrindo um mundo novo, experimentando um sentimento de liberdade e euforia...


Tudo era festa... Dia do Índio, Dia da Bandeira, Dia das Crianças... e até os dias comuns...


"Comecinho de Vida" era e ainda é o nome dessa escolinha que frequentei... aonde dei meus primeiros passos para a vida. Me desviei muito do que aprendi lá, mas nunca me esqueci. Aprendi lições importantes que, talvez se tivesse aplicado desde o inicio, certamente teria tido uma vida mais feliz e tranquila.


Sobre o Livro

Tudo que Eu Devia Saber Aprendi no Jardim-de-Infância


Sinopse (Retirada de: Cia dos Livros)


Comparado a clássicos como O pequeno príncipe e Fernão Capelo Gaivota, este livro reúne textos curtos, crônicas líricas e bem-humoradas que lançam uma luz sobre o cotidiano. Revelando o que há de nobre nas pessoas comuns, o que há de grandioso nas situações banais, Robert Fulghum toca o coração do leitor e desperta nele uma nova percepção. Os temas dos textos são os mais variados - o prazer da comida da infância reencontrado num bar de beira de estrada, a surpreendente sabedoria de um velho sapateiro judeu, o escandaloso amor dos guaxinins, o menino surdo que no outono recolhe as folhas caídas das árvores, a experiência metafísica proporcionada pela lavagem de um cesto de roupas sujas.

A Impossibilidade de se Ver Adiante

Será que o fato de não podermos ver adiante em nossas vidas é realmente um fator limitador na busca pela felicidade? Não conheço todas as músicas do Lenine... mas fiquei pensando em uma de suas canções (das poucas que conheço).


"Meu amor o que você faria?

Se só te restasse esse dia?

Se o mundo fosse acabar

Me diz o que você faria..."


Percebo que esta é uma pergunta que não poderia ser respondida racionalmente. É preciso muito mais que a razão para entender uma situação assim. Mas mesmo assim não deixa de ser uma pergunta válida! Infelizmente, a maioria esmagadora não tem condições de responder. A incerteza do termino de nossa existência faz com que a ignoremos. Preferimos a segurança das certezas que já temos a perder tempo pensando em coisas que não teremos certeza.


Particularmente, eu não acredito em certezas... ter a certeza de que algo dará certo, que alguma coisa funcionará é jogar com a sorte. É o mesmo que adivinhar o futuro... a única certeza que tenho é que um dia, vamos deixar esta existência.


Mas estranhamente vivemos nossas vidas como se estas não fossem acabar... ou como se a longevidade humana fosse bíblica... algo na casa do 500 anos... essa equação que transforma 75 anos em 500 talvez seja o motivo para deixarmos tanta coisa para depois.


Quem sabe Rogério Flausino não esteja correto? Será que realmente:


"Vivemos esperando

Dias melhores

Dias de paz, dias a mais

Dias que não deixaremos

Para trás"


Não acho que quem espera sempre alcança... não acredito que o tempo é o senhor da razão, talvez a verdade seja que quem espera sempre se acomoda. A espera só é valida quando se sabe exatamente a hora de agir. Eu posso esperar pelo meu programa de tv favorito, pois sei exatamente quando ele começa. Algumas coisas se iniciam após outras... sabendo quando determinada situação terá fim é que poderei iniciar um novo ciclo...


Mas por que esperar para viver o que nos faz bem? Por que aceitar tantas regras impostas na nossa busca por momentos felizes? Por que tantos empecilhos?


A pergunta exata é: "E se só te restasse esse dia?"

Releituras

Ler é um hábito saudavel, um ato que nos transporta para um novo mundo. Como é gostoso ler um livro e de imediato nos identificarmos com algum personagem. Li muitos livros no começo da adolescência que me deixaram boas recordações! Aventuras que vivi apenas lendo.


Pensando nisso me lembrei do Filme "A História Sem Fim", aonde o menino Bastian ao ler o livro, era transportado para o mundo de Fantasia para reescrever a história. Eu assisti também às 2 sequências, mas confesso que achei o primeiro melhor! Além da mensagem que há em cada filme, existe uma que eu não me esqueci.


"... Este não é um Livro comum... a história muda cada vez que você a ler!..."


Hoje pensando melhor sobre isso chego a conclusão que muitas vezes não estamos prontos para "aceitar" ou entender novos pontos de vista, novas reflexões, que tudo depende do "momento" em que nos encontramos. Sendo assim, existirá uma grande chance de que, ao ler novamente algum texto, tenhamos uma nova visão ou compreensão daquela mensagem ou até mesmo um entendimento próprio, baseado em nossa própria reflexão.

Ler de novo um livro que marcou nossa memória pode vir a se tornar uma nova descorberta. Isso é explorar a nossa capacidade de reaprender, de olhar por outro ângulo. Que sempre podemos aprender, mesmo que a mensagem seja antiga.


Um livro fantástico que li há muito tempo foi "Fernão Capelo Gaivota".



Dono de uma mensagem tão simples e ao mesmo tempo tão necessária, o livro trata de sonhos, superação, busca da identidade e aceitação.

Música - Manifestação dos Sentimentos

Para viver é necessário sentir, mas a cada dia caminhamos para a frieza, vemos a cada dia a banalização das coisas se tornarem mais evidentes, a violência deixou de ser "fascinante" ou assustadora para se tornar apenas um fato comum e rotineiro.


A sensibilidade não é um dom, é um aprendizado! A sensibilidade no torna capaz de entender (mesmo que não compreendamos) os problemas alheios. A sensibilidade é o que nos faz sentir intensamente o mundo a nossa volta, que aguça nossos sentimentos. E na minha pequena visão, somente com os sentimentos "à flor da pele" é que realmente tornamos fantásticas nossas experiências!


As artes são a materialização de sentimentos. A expressão máxima originada da sensibilidade. Cada um se expressa da maneira que melhor flui seus sentimentos.


A música é sem dúvida uma das expressões mais ricas em sentimentos. Gosto muito de teatro, cinema, sou apaixonado pela obra de Frida Kahlo, adoro literatura, mas vejo na música uma ancora para as lembranças... às vezes "de tudo que eu ainda não vi". Para mim, a música tem o poder de marcar! Mais até que as lembranças... escutar uma música que fez trilha sonora de um momento vivido é resgatar todas aquelas emoções (às vezes sofridas). E o engraçado é que esse resgate emocional se dá mesmo que a situação que vivi já não faça mais diferença em minha vida.


E foi com esses olhos que assisti na quarta feira dia 06 ao programa Astros do SBT. Tenho acompanhado o programa para ver as composições, novas criações. Tenho gostado muito! Mas alguém me chamou atenção! Não pela forma com a qual se apresentou, mas pela simplicidade e beleza da composição. Eu realmente fiquei emocionado com a apresentação da Chris Carvalho. Lindo!






A beleza das coisas está na sensibilidade com a qual vemos. Dotados de sensibilidade, encontramos alegria nas pequenas coisas que compõem nosso dia-a-dia. A violência, o descaso, a banalização causada pela mídia nos deixa cegos. Mas basta procurar dentro de si que encontrará a sensibilidade necessária para sentir. Viver só é pleno quando inundado de sentimentos.