28 de maio de 2008

Aborto - Legalidade ou Crime?

Essa pequena e simples entrevista foi realizada para um trabalho de faculdade envolvendo a questão do aborto. Minha participação foi pequena, apenas fiz contato com um amigo que se prontificou a responde-la... Bem, quase perdi a amizade pelo andar da entrevista. Foi bem tensa... e achei tão interessante o resultado que resolvi postar uma parte dela.


1) O que você pensa a respeito da interrupção voluntária da gravidez?

Eu acho que o aborto pode ser definido de várias formas: crime, atentado contra a vida, pecado, homicídio... particularmente sou contra.

2) você acha certo definir um feto, um embrião, ou mesmo um óvulo como uma pessoa com direitos iguais ou mesmo superiores aos de uma mulher, como uma pessoa que pensa, sente e tem consciência?

Da forma como esta definido na pergunta, não. Sem receio de parecer repetitivo mas, devemos nos ater ao fato de que esta vida não pediu para ser consumada, não tem culpa das escolhas que fizeram. Não podemos simplesmente negar a chance da vida a um ser apenas por meras descrições cientificas. E espiritualmente falando... existe a alma.

3) Você acredita que a opção por aborto está ligada diretamente à pobreza?

Sim, acredito. Acho que 70% das mulheres que fazem essa opção são pessoas desprovidas de renda e ou cultura. Não pensaram sobre as conseqüências ou simplesmente não tiveram acesso a informação. Praticaram o sexo sem segurança, por vários fatores, e sem a estrutura familiar, muitas vezes ruída por questões sociais, se vêem solitárias, sem perspectiva de melhora na vida, sem apoio, com a única visão do aborto como solução. É claro que não são todas, existem muitos casos... mas a maioria deles é por irresponsabilidade, e isso em todas as classes sociais.

4) Qual seria a solução para se evitar o desejo pelo aborto?

Encaminhamento para órgãos sociais para tratamento psicológico afim de se buscar a estabilidade emocional e encontrar soluções para a vida desta criança. Como a adoção, por exemplo.

5) Você que protesta contra a legalização do aborto, qual tem sido o seu real papel nessa luta? Além de protestar o que realmente você faz em defesa a vida?

Bom, participo de debates, abaixo-assinados, passeatas, fóruns.... toda ou qualquer manifestação em favor da vida.

6)Bom, pelo que entendi, a única importância é a de que a lei permaneça inalterada. E quanto as mulheres, o que você faz em prol, qual é a sua posição em relação ao desejo da interrupção voluntária da gravidez, o que você que protesta faz em relação a esse fato?

Como disse, existem órgãos competentes e ONG’s para tratamento e encaminhamento psicológico destas pessoas, ao meu ver, uma gravidez indesejada apenas por motivos irresponsáveis (não estou falando sobre má formação do feto, estupro ou quando a mãe é deficiente mental) deve ser tratada com apoio psicológico. Muitas vezes o que faz com que a mulher procure por este método é o fato de pensar que a vida ficará mais difícil, ou até mesmo que não haverá mais vida, que ela será prejudicada com a chegada de uma criança.

7) Mas na prática mesmo, o que você faz é apenas garantir que as pessoas não tenham o direito de errar, você apenas deseja manter a “moralidade” que você julga correta, você não opina, pelo contrario, luta pelo “direito” de somente a voz dos que são contra o aborto serem ouvidas. Como você vê essa afirmação?

Do jeito que você coloca as coisas parece que sou a inquisição, não é sobre isso que estamos falando. Estou dizendo que, apesar de existirem pessoas que estão irredutíveis sobre sua posição em relação ao aborto, a grande maioria que o faz se arrepende depois, temos vários casos aonde a opção por tal prática prejudicou muito mais a vida da pessoa, do que se ela tivesse tido a criança. Culpa, crises depressivas, dificuldade de se relacionar, afetiva e amorosamente, etc. E olha que não estou falando sobre os casos que deram errado: como deformações em crianças por meio de tentativas de aborto frustradas pela indução de medicamentos, danos irreversíveis à criança e a mãe. E sem contar nas mortes causadas muitas vezes por hemorragias e ou imperícias.

8) Você acredita que a despenalização do aborto voluntário poderá fazer aumentar os casos de aborto?

Não sei dizer, embora eu seja totalmente contra o aborto, não sei dizer se isso aconteceria... sei de países aonde o aborto é legalizado, mas existe um tratamento psicoterapêutico que antecede qualquer intervenção médica. E muitas das vezes a paciente para ali mesmo. Porque na verdade existe uma questão social muito maior por trás destes casos. Família, condições financeiras, sociedade, até aonde eu sei, nesses países que possuem esse apoio terapêutico, poucas mulheres realmente chegam as vias de fato.

9) Entendo que você se manifeste contra a despenalização do aborto voluntário. Vejo inclusive que, em parte, tal posição se deve ao fato de seu crescimento religioso. Mas é de se estranhar que biblicamente falando, a vida é 8 ou 80, mas você segue a risca apenas nesse caso, afinal de contas você bebe, pratica sexo que não seja para fins de reprodução e sem os laços do matrimônio, usando métodos anticoncepcionais, fala mal, critica, difama seu semelhante, valoriza mais o dinheiro que outra coisa na vida, erra, etc... mas quer a todo custo limitar as escolhas de outras pessoas, as quais vão contra seus princípios. “Acaso você é a guarda de seu irmão?”

Nem pretendo comentar tal pergunta... o que prego é um apelo a favor da vida, existem soluções para as mães que não querem seus filhos, se isso inclui assumir responsabilidades, enfrentar a sociedade, a vida, família, fazer o que? Tudo o que fazemos tem um preço. Não sou responsável por ninguém, mal consigo ser responsável por mim. O que eu apenas defendo é o direito a vida. E embora eu saiba de pessoas que ao defenderem algo manifestam seu modo de vida e atiram pedras ao protestarem contra alguma coisa, por se acharem donas da razão, não é o meu caso.

10) Caso você aconselhe alguém a não retirar de si preciosa vida, qual seria a sua ligação com este ser que irá nascer? Conseguiu evitar o aborto involuntário, e agora? Não teme que a criança sofra por ter sido rejeitada, fruto de uma gravidez indesejada? Que a mesma passe necessidades? Viva em condições sub-humanas? Seja explorada? Se volte para a criminalidade?

Mesmo uma criança, fruto de uma gravidez planejada, está fadada a correr estes riscos. É claro que uma gravidez indesejada contribui em muito para a má formação do caráter da criança. Quanto a responsabilidade, bom, pode parecer evasivo mas, infelizmente o que ainda falta nesse país é responsabilidade social. Embora algumas pessoas achem que não tem nada a ver com a educação de seus vizinhos, é necessário zelar por nossos semelhantes. Um assaltante, antes de mais nada, já foi uma criança... e teve seus direitos negados... sem infância, discriminado por ser pobre ou de cor. E muitas vezes fomos nós (a sociedade) a discrimina-lo, negando-lhe oportunidades na vida, negando confiança, ignorando qualquer luta em favor de uma melhoria de vida para estas pessoas, porque passamos muito tempo correndo atrás de nossos próprios desejos. As mãe que por algum motivo não querem ter seus filhos, é também um caso de responsabilidade social.... ao julgarmos as origens da gravidez, contribuímos para a busca por meios abortivos. Eu sei que uma pequena parte da criminalidade, embora tenha tido mais oportunidades que qualquer outro de nós, ainda assim caiu em desgraça, eu também sei que mesmo com muita orientação e zelo, uma pequena parte das mulheres ainda estarão irredutíveis quanto ao aborto. Mas nada é perfeito, você até pode ficar em cima do muro. Não ter opinião... se mostrar alheio. Mas somos responsáveis por todos os nossos atos. Amar o próximo é querer para ele sempre o melhor... mesmo que ele não concorde. Legalizar o aborto é, acima de tudo, negar o direito a vida.



Selecionei as melhores questões, não havia como publicar toda a entrevista, porque o foco mudava bastante. Agradecimentos ao Freddy que permitiu que as publicasse aqui. Ah! E ao Dr. Roberto Silva, por ter tido a paciência em Responde-las.


Independente da opinião aqui mostrada, há que se respeitar as opiniões contrárias. Eu, particularmente sou contra o aborto, mas defendo o direito de cada um de errar. Jamais incentivaria alguém a abortar mas, acho injusto negar-lhe a opção do erro. Sei que esse é um assunto polêmico, concordo que nesses casos um bom tratamento terapêutico gera bons resultados mas, e para aqueles casos em que mesmo após toda a terapia do mundo, a pessoa permanece “indissolúvel”? O Fato de ser contra o aborto e não me opor a pratica legalizada pode até parecer que assumo uma posição neutra, Mas não considero assim.





Concordo que seja necessário uma política de responsabilidade social. Porque é muito fácil atirar pedras às opções alheias e ou opiniões, sem termos a menor responsabilidade com tal situação.




Em Portugal a interrupção voluntária da gravidez já é permitido, e essa permissão se estende também para as estrangeiras. Leia mais em Wikipedia e em www.aborto.com/aborto.html


É errado bloquear uma porta se você não oferece outra saída...

3 comentários:

Iara disse...

Um baby!!!
Eu não sei o que pensar sobre isso, tenho uma opnião formada, mas ela muda de acordo com os casos.

Eu acho que tudo que é proibido e considerado ilegal piora ainda as cosas, porque parte pra ilegalidade.

†Drake† disse...

Ei Iara!

Sim, e é ai que mora o perigo... manter uma postura moral e continuarmos a ter pessoas na ilegalidade?

Obrigado pela visita!

Iara Alencar disse...

Por isso eu falei que nao sei o que pensar sobre isso e que cada caso é um caso.